Eu furo, tu furas, ele fura…

Cobiça. Taí uma coisinha peçonhenta. Traiçoeira por ser ao mesmo tempo errada e natural. Vivemos a desejar o que não nos pertence. Amigos, emprego, roupas, status, aparência, visibilidade… São diversos os meios que levam a tentação de querer algo que não está completamente ao alcance.
A situação piora ainda mais quando o elemento criador da inveja respira, anda, conversa, joga charme e parece beijar muito bem. Sim, já furei olho e creio que já furaram o meu. Na primeira posição, uma briga entre culpa e excitação arrebata os sentimentos.
É interessante testar o próprio poder de fogo, ser a serpente que perturbou Adão. A sensação de poder é inebriante, mas como qualquer outro artifício de entorpecimento, também é passageira. Aí vem o dia seguinte e a auto-flagelação mental. “O que fiz?” e “Foi a bebida” são as desculpas mais comuns nessas horas.
Eu não levantei nenhuma delas. Agi do jeito que quis, entrei na corrida sabendo que ia subir no pódio. E vejo esse o diferencial da cobiça inadequada e a correta. Aspirar pelo mero prazer de ter é traição, oposto do querer porque você merece. Tal ato não é impulsivo e impensado.
Deve-se vê antes os prós, contras e consequências da ação. Quando feita toda esta necessária burocracia, vale a pena arriscar. Desafios, o ser humano é feito disso e por isso, disse antes que o anseio é natural.
Cabe a pessoa saber domar suas vontades quando melhor lhe convir. Ficar no papel de vítima é ridículo, responsabilizar os outros também. Se for pra adentrar na contravenção que seja com consciência.
Ou torça para ninguém saber.
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